sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quem é amigo, já não é mais escravo


Um dos textos mais belos do Evangelho está em João 15:15. Jesus diz assim:

" Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer."

É uma ruptura para a mentalidade da época calcada na relação senhor-servo. Jesus nos traz uma relação distinta, horizontal, fraterna. Ele nos chama de amigos e amigas!

Como pode ser isso? Se espantam os mais ortodoxos.

- Ele é o "governador planetário", um "espírito puro", um grande "avatar", ele é o "Senhor", o "Salvador", o... e ainda assim iremos tratá-lo como... digamos... amigo?

É isso mesmo. Quem é de casa, é amigo, amiga, porque ouviu de tudo, sabe das coisas, tem intimidade. E a base dessa comunhão é o conhecimento, a Gnose. Kardec chamava isso de "fé raciocinada". O contrário disso é servidão, escravidão, ignorância. É o não-saber "o que faz o seu senhor".

"...
tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer"

É essa Gnose que cria uma nova fraternidade, uma consciência mais ampla. Essa irmandade não se estrutura mais em hierarquias onde há estreitas verticalidades (senhores/dominadores e servos/escravos). Agora há um novo tempo, uma boa nova, uma horizontalidade formada por amigos e amigas de Jesus. Todos são colaboradores do Reino. Essa é a nova ordem social-religiosa do Cristo que rompe com os velhos modelos opressores e autoritários, civis e religiosos.

Ainda iremos precisar de muito tempo para entendermos na mente e no coração esse único verso do evangelho de João, essa frase de Jesus anotada pela comunidade joanina.

A humanidade caminha, com passos lentos e exitantes, caindo e se levantando, mas caminha de acordo com as suas possibilidades cognitivas e emocionais. Tudo tem seu tempo.

Muita Luz!